Alergias e Irritações da Pele: Veja os produtos que podem prejudicar sua saúde e seu trabalho.
- Evandro Barcellos

- 21 de out. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 23 de out. de 2022
Irritações e alergias na pele...? Quem já passou por essa situação sabe muito bem os inconvenientes e os desconfortos que causam.

Esse grave problemas de saúde acontece não apenas nos ambientes domiciliares, mas também, em grande parte acontecem em ambientes de trabalho, tais como, salões de beleza, cabelereiros, pátios de obras de construção civil, nos serviços de faxina, dentre outros.
Todavia, sabemos o quanto é importante aprendermos sobre esse assunto e inclusive as formas de prevenção e tratamento para que se tenha mais saúde e qualidade de vida. E diante dessa relevância do assunto, as informações apresentados aqui são da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Associação Brasileira de Alergia e Imunoterapia. Vejam as fontes no final da postagem.
Vamos lá!!!
O que é a Dermatite de Contato?
A Dermatite de Contato, também conhecida como eczema de contato, é uma reação inflamatória na pele decorrente da exposição a um agente ou produto capaz de causar irritação ou alergia, com a participação ou não dos raios ultravioletas na superfície da pele.
A dermatite de contato se caracteriza na pele por eritema, vesículas, exsudação, pápulas, escamas e liquenificação, que podem ocorrer isoladas ou simultaneamente. Os sintomas são variáveis e dependem da causa: ardor ou queimação até intensa coceira.
As dermatites de contato podem ocorrer tanto no ambiente doméstico, como nas atividades de lazer e no trabalho. Neste último, é chamada de Dermatite de Contato Ocupacional.
Existem dois tipos de dermatite de contato: a Irritativa e a Alérgica.
Dermatite de Contato Irritativa ou Não Alérgica.
Esse tipo de dermatite de contato, que ocorre com um grande número de pessoas, pode aparecer na primeira vez em que entramos em contato com o agente causador.
Causada por diversos produtos químicos, sendo que os principais são: Sabões e sabonetes de banho, produtos de limpeza, detergentes, ácidos e álcalis (Cloro e Soda Cáustica, por exemplo), solventes, graxas, poeira e fibra de vidro.
Os sintomas são discretos, as lesões da pele geralmente são restritas ao local do contato, com pouca coceira e sensação de dor e queimação. Ela torna a pele seca, vermelha e áspera, sendo que fissuras podem se formar no local.
As mãos são um local comum da dermatite de contato. As mãos, aliás, são frequentemente afetadas em atividades profissionais, como cabeleireiros, auxiliares de limpeza e pedreiros.

Dermatite de Contato Alérgica.
A dermatite de contato alérgica surge, em geral, pelo contato com produtos de uso diário e frequente, após repetidas exposições, e depende de ações do sistema de defesa do organismo, e por esse motivo pode demorar de meses a anos para ocorrer, após o contato inicial.
Alguns produtos causam reações somente após exposição solar concomitante, como o sumo de frutas cítricas e perfumes. Outros itens podem entrar em contato com a pele quando carregados pelo ar, como inseticidas em spray e perfumes para ambientes.
As lesões da pele acometem o local de contato com a pele, podendo se estender à distância do local atingido diretamente pelo agente causador.
Veja os principais produtos e substancias que podem causar a Dermatite de Contato:
Cosméticos:
Perfumes, xampus, condicionadores, creme hidratantes e esmalte de unhas.
Sais metálico:
Níquel (utilizado em anéis, brincos, relógios e outros adornos de roupas e calçados), Cromo, Cobalto, Mercúrio e germicidas.
Materiais de construção:
Cimento, tinta de parede, resinas plásticas (epóxi e acrílico).
Resina Colofônio (vinda de Pinheiros, por exemplo)
Presente em produtos, tais como, fitas adesivas, ataduras, produtos de papel, limpadores caseiros, pomada de primeiros socorros e as resinas usadas em instrumentos de corda.
Medicamentos tópicos:
Antibióticos, anestésicos e antifúngicos.
E outros, tais como:
Roupas e tecidos sintéticos - Plantas - Látex e aditivos de borracha - Adesivos.

Os sintomas da Dermatite Alérgica, muitas vezes, são uma erupção vermelha nos locais no qual a substância entrou em contato. A reação alérgica surge de 24 a 48 horas após a exposição. A lesão pode inchar e apresentar pequenas bolhas; ser quente; ou formar crostas espessas.

DIAGNÓSTICO: Seja rápido para identificar a dermatite, para não ser tarde demais!
O diagnóstico das Dermatites de Contato deve ser feito por médicos especializados, o qual pode ser esclarecido pelo Teste de Contato (patch-test) que consiste na aplicação de 30-40 substâncias na pele das costas. De acordo com a substância testada, pode ser sugerida a causa da dermatite de contato.
Quando o agente causador da dermatite pode ser identificado e evitado, a cura da dermatite é evidente. Se o contato persiste, a dermatite pode se tornar crônica e de difícil tratamento, podendo até impedir as atividades diárias do indivíduo.
O Teste de Contato é sem dúvida o procedimento diagnóstico mais eficiente, especialmente nos pacientes com dermatites com menos de 12 meses de duração.
Alguns pacientes com Dermatite de Contato Crônica, (por mais de 12 meses) ou com episódios repetitivos, nunca se recuperam da dermatite apropriadamente, apesar do afastamento do agente causal e do tratamento clínico.
Devemos, portanto, tentar descobrir o mais cedo possível o agente/substância a que o paciente possa estar sensibilizado para que a sua dermatite de contato não se cronifique.
As Dermatites de Conato são responsáveis por 10% das consultas atendidas em consultórios de dermatologistas e alergistas.
Mais de 90% de todas as dermatoses ocupacionais são causadas pelo contato direito com produtos químicos no local de trabalho.
TRATAMENTO: Abandone as "Soluções Mágicas" e siga as orientações de um especialista.
O tratamento, feito por um médico especializado, depende muito da extensão e da gravidade do quadro, e as medidas poderão ser apenas locais ou incluir a utilização de medicações via oral ou injetável.
Em caso de alergia, a pessoa jamais deve se automedicar ou buscar “soluções mágicas”, pois elas podem agravar ainda mais o problema. O correto é procurar sempre um médico.
Um dos primeiros passos inclui a higienização com água para remover qualquer vestígio do irritante ou alérgeno que possa ter permanecido na pele. Quando as lesões estão muito úmidas, geralmente na fase aguda, pode-se utilizar compressas úmidas, secativas ou antissépticas.
Cremes ou pomadas de corticosteroides são utilizados para reduzir a inflamação da pele. É fundamental seguir atentamente as instruções ao usar esses produtos. Isso porque, em excesso, mesmo os itens mais fracos podem deixar a pele dependente. Adicionalmente, ou para substituir os corticosteroides, o médico pode prescrever os chamados imunomoduladores tópicos, como tacrolimus.
Em casos nos quais a pessoa sinta muita coceira, e/ou nos mais graves, pode ser necessário o uso de antialérgicos orais ou corticosteroides orais ou injetáveis.
Emolientes e hidratantes ajudam a manter a pele úmida e também auxiliam em sua reparação e proteção. Eles são utilizados nas fases de resolução, quando a pele começa a descamar e secar, além de ser parte fundamental para a prevenção e o tratamento da dermatite de contato, principalmente aquelas que envolvem contato frequente com água.
PREVENÇÃO: A máxima de sempre de ser melhor prevenir do que remediar!
Deve-se identificar o agente irritante ou alergênico que desencadeou a dermatite e evitá-lo.
Usar produtos hipoalergênicos e lavar as mãos após a exposição a substâncias que podem provocar a irritação também ajuda na prevenção.
Nos casos de problemas que surgiram no ambiente de trabalho, é indicado o uso de vestimentas adequadas como luvas, calçados e uniformes, por exemplo.

Fonte:
SBD - Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dermatite de Contato. Saiba mais...
ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Revista Brasileira de Alergia e Imunoterapia 0103-2259/11/34-03/73. Saiba mais...

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